Conatus 2013


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O impacto da soja sobre a natureza e o ecoturismo é assunto de reunião paralela


Em Bonito, muitas áreas que eram destinadas à pecuária vêm sendo substituídas pelo cultivo de soja, o que implica num manejo totalmente diferenciado do solo, com o uso intensivo de agrotóxicos.

 

Diante deste novo quadro, o Conselho Municipal de Turismo de Bonito propôs a realização da reunião que aconteceu na manhã do último dia do Conatus: “O avanço da cultura da soja em Bonito – MS: quais os possíveis efeitos sobre o turismo?”. A proposta foi reunir todos os setores interessados para discutir o assunto, que é especialmente relevante na região, onde o turismo é a principal atividade econômica e depende da preservação da água e da biodiversidade locais.

 

Na oportunidade, Juliane Salvadori, secretária de turismo de Bonito – MS, e Paulo Sérgio Gimenes, da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural, abordaram questões técnicas da problemática, com a apresentação do Quadro atual no Município de Bonito.

 

Na sequência, Paulino Medina Jr. abordou o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Estado, cujos estudos estão sendo realizados pelas universidades do Estado, em parceria com a Fundação Neotrópica do Brasil na apresentação Estudos Sobre a Biodiversidade e Manejo Sustentável.

 

Para ampliar a discussão, o advogado Marcelo Buzaglo Dantas fez uma exposição sobre a questão na perspectiva do Direito Ambiental. Ele enfatizou que temos um novo marco regulatório e qualquer discussão que envolva direito ambiental não pode passar ao largo. "Essa lei ambiental fortaleceu muito os municípios, que hoje passam a ter competência para licenciar, além de toda a competência para fiscalizar", comentou.

 

Carolina Ximenes de Macedo, da Fundação Grupo O Boticário apresentou Uma proposta para promover o adequado uso da terra no município, baseada num programa de Pagamento de Serviços Ambientais (PSA)que incentivar e recompensa os proprietários rurais que fazer o manejo apropriado de suas terras.

 

O atual secretário de meio ambiente de Bonito, Fabrício de Souza Maria apontou que a previsão é de que até 2015 as áreas de agricultura de soja ocupem cerca de 50 mil hectares em Bonito. Ele ainda lembrou que, com exceção do IMASUL, que faz análises pontuais e não periódicas da qualidade das águas, não há informações precisas que permitam avaliar se há alteração na qualidade da água da região. “É preciso que se normatize um monitoramento sistemático para que se possa cobrar dos órgãos responsáveis. Não adianta falar que o solo ou a água estão contaminados sem conseguir provar”, argumentou. Fabrício também afirmou que hoje a maior parte das lavouras estão margeando o banhado do Rio Formoso. “Isto é especialmente preocupante, porque as águas que são fornecidas para o abastecimento público vêm do lençol freático. Já é apontado o aumento de fósforo e substâncias que indicam um certo nível de contaminação.”

 

Um agricultor presente também participou da discussão. "Com relação aos herbicidas e inseticidas, é impossível produzir em escala sem eles. O que tem de avanço na tecnologia é que vai se começar a produzir a soja intacta, que é mais resistente a insetos e diminui o uso desses defensivos", comentou a seu favor, e ainda lembrou que “Nenhuma atividade que se desenvolva deixa de agredir o meio ambiente, inclusive a agricultura. O que se pode fazer é minimizar isso.”

 

Os resultados desta discussão foram levados à reunião ordinária do Conselho Municipal de Turismo, que pretende aprofundar esta discussão e chegar em propostas concretas que permitam o monitoramento da qualidade da água na região e que garantam a sustentabilidade do turismo de natureza que acontece no município.


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